O Aluno como Piloto do Conhecimento: A visão de Piaget
Em sua teoria, Piaget propõe que
a criança seja a piloto de sua aprendizagem, e não apenas uma receptora de
informações mastigadas. Como ele mesmo afirma, o conhecimento é construído
progressivamente à medida que a criança interage com o ambiente, pelo que ela
precisa de um papel ativo de exploração. Por sua vez, propõe-se o ensino
construtivista como forma de alcançar esse objetivo, o qual promove atividades
que incentivam a exploração individual e a resolução de problemas, permitindo
que as crianças construam seu próprio conhecimento por meio de suas interações
com o mundo. Isso não significa que a criança deve poder fazer o que quiser,
mas sim que os ambientes devem ser preparados para direcionar sua aprendizagem.
A teoria construtivista é uma
abordagem da aprendizagem que se baseia na ideia de que o conhecimento é
construído ativamente pelo aluno, a partir de suas experiências prévias e da
interação com o ambiente. Já os processos de aprendizagem envolvem a assimilação
de novas informações e a acomodação das estruturas cognitivas existentes, o que
leva a um novo equilíbrio e compreensão mais profunda.
Os quatro estágios de
desenvolvimento cognitivo:
- Sensório-motor (do nascimento aos 2 anos): A
criança interage com o mundo através dos sentidos e da ação física.
- Pré-operacional (3 a 7 anos): A criança
começa a usar símbolos, como a linguagem, e a representar o mundo
mentalmente, mas ainda é egocêntrica.
- Operatório concreto (8 a 11 anos): A criança
desenvolve o pensamento lógico sobre objetos concretos e a capacidade de
classificar e conservar.
- Operatório formal (a partir dos 12 anos): O
pensamento se torna abstrato e capaz de lidar com hipóteses e raciocínio
lógico dedutivo.
Sendo assim, o professor
construtivista precisa conhecer o estágio em que o aluno se encontra para
propor desafios (situações-problema) que sejam desafiadores, mas não
impossíveis, estimulando a curiosidade e a necessidade de o aluno se mobilizar
para buscar a solução. É a ação do aluno sobre o objeto do conhecimento que
provoca a aprendizagem.
Ao compreendermos melhor a ideia
de Piaget a respeito do protagonismo a ser desempenhado pelo aluno em seu
processo de aprendizagem, torna-se evidente a funcionalidade do professor em
guiar e impulsionar o desenvolvimento cognitivo dos alunos. O papel do
professor deve proporcionar ao aluno situações-problema que gerem desequilíbrio
e conflito cognitivo, para que ele trabalhe com o novo e, ao notar necessidade,
reorganize suas ligações e estruturas de conhecimento. Para gerar essa situação
e ativar essa parte do desenvolvimento, é fundamental que o professor saiba
identificar o estágio de desenvolvimento do aluno.
Quando comparado ao método
clássico, a mudança no papel do professor — de transmissor para mediador — é
uma consequência direta e inevitável da aceitação do protagonismo do aluno. Se
o conhecimento é uma construção ativa que não pode ser copiada, o professor não
pode ser o agente de repasse. O construtivismo requer que as necessidades
educacionais sejam observadas e que as atividades sejam condizentes com o nível
operacional do aluno.
O professor construtivista deve,
portanto, desenhar atividades que promovam a interação entre pares, pois o
debate social e o confronto de ideias com colegas são vitais, ajudando o aluno
a expandir seu pensamento egocêntrico. O design do ambiente deve encorajar
explicitamente a autonomia dos alunos, proporcionando oportunidades de
resolução de problemas.
A autonomia cognitiva, segundo
Jean Piaget, constitui um dos pilares do desenvolvimento intelectual e moral do
sujeito. Para o autor, aprender não significa receber informações prontas, mas
construir ativamente significados por meio da interação com objetos, pessoas e
situações. Nesse processo, a autonomia surge quando o indivíduo é capaz de
formular hipóteses, analisar resultados, justificar escolhas e revisar suas
próprias ideias, sem depender exclusivamente da orientação externa. Piaget
enfatiza que a autonomia cognitiva não é sinônimo de independência absoluta,
mas de cooperação consciente, em que a criança participa das decisões e
compreende as razões por trás das regras e dos conhecimentos. O professor atua
como mediador, criando condições para que o estudante confronte seus esquemas
mentais. Assim, promover a autonomia cognitiva significa reconhecer o aluno
como sujeito ativo, capaz de refletir, argumentar e transformar sua própria
trajetória de aprendizagem.
Embora a teoria de Piaget foque
primeiramente no desenvolvimento cognitivo como um processo de construção
individual (o aluno como piloto que constrói seus próprios esquemas), a
interação social desempenha um papel crucial, especialmente como fonte de
desequilíbrio e motor de desenvolvimento. É no confronto com o ponto de vista
do outro, na troca de ideias e na cooperação (particularmente com pares), que o
pensamento egocêntrico é descentrado. A interação social não é, portanto, uma
mera transmissão de conhecimento, mas sim um catalisador que expõe o sujeito a
conflitos cognitivos, forçando-o a acomodar novas perspectivas e, assim,
avançar em sua estrutura lógica individual. O indivíduo constrói
(individualidade), mas a sociedade fornece os desafios e os pontos de vista que
o fazem avançar (interação social).
“Educar é provocar a descoberta, não oferecer respostas prontas.”
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